sexta-feira, 15 de junho de 2018

Casa de Madeira - Material de Intervenção


Hoje vamos falar sobre casas de bonecas como material de intervenção em psicologia e não só, ficaram curiosos?

Recentemente adquiri uma casa de madeira da marca Lidl Portugal (mas existem várias à venda no mercado) para mim foi importante ter de base as seguintes divisórias:

Cozinha,
Sala;
WC;
Quarto dos Pais;
Quarto das Crianças




Para além das divisórias adquiri também uma família completa: Pais, Filhos, 1 Bebé e Avós, estes podem integrar por exemplo a mala ludo (mala de recursos terapêuticos de psicologia infantil); por sua vez a casa por não ser de fácil transporte, acaba por estar fixa em gabinete.



Através da brincadeira com a casa de madeira, conseguimos perceber as dinâmicas familiares, uma vez que a criança tende a projectar nos bonecos aquilo que sente e a angustia, permitindo assim ao psicólogo aceder a conteúdos mais internos. 


Permite ainda à criança experimentar e compreender os diferentes papéis familiares, de género e sociais.

Em terapia da fala, por exemplo consegue-se trabalhar a compreensão e expressão da linguagem, por exemplo, construir-se uma história de forma a trabalhar a construção de frases ou pedir para a criança ir nomeando objetos, de forma a trabalhar os sons.

Em casa, permite a criança explorar o que observa do mundo dos adultos, permite brincar de mãe, de  irmã mais velha, tal como de pai, irmão, avós etc.. (Os diferentes papéis como referi em cima)..

Este é um brinquedo para TODOS, não existem brinquedos de “menina” ou de “menino”; por isso se for pai ou mãe de um rapaz e este quiser brincar ou ter muito uma casa de madeira, porque não? 
Os brinquedos não têm género! Vamos todos combater o preconceito e brincar às casinhas? 

As meninas podem ser excelentes pilotos de corridas ou astronautas  e os rapazes também podem ser excelentes cozinheiros e cabeleireiros, deixem-nos experimentar e fazer de conta!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

De que Cor é um Beijinho- Sugestão Literária para Pais e Profissionais




Editora: Jacarandá

Este livro conta-nos a história da Mónica que de todas as coisas que mais gostava de fazer, desenhar era uma delas, resolveu assim desenhar e pintar um beijinho para oferecer à mãe mas não sabia de que cor era um beijinho?



Aos Pais

Este livro está escrito numa linguagem simples e acessível, pode ser usado com crianças a partir dos 3 anos de idade. Em casa pode usar esta história para ajudar o seu filho(a) a expressar as suas emoções/sentimentos.

O Livro permite ainda trabalhar:

- Memória;

- Tentativa E Erro;

- Juízo Crítico:

- Emoções/Sentimentos (através da cor)


Aos Profissionais

Em Psicologia muitas são as vezes que recorremos a histórias infantis, uma vez que estas promovem e facilitam a identificação com a personagem por parte das crianças.


Este livro em particular, fala-nos sobre afectos, uma vez que a personagem principal Mónica quer pintar um beijinho para oferecer à sua mãe. Ao longo da história a criança é convidada a percepcionar como cada cor é sentida pela Mónica, existindo assim uma identificação.

Assim e de acordo com o livro, podemos fazer a seguinte identificação:

Vermelho – “Dizem que o vermelho é a cor de quando estás zangado…”;
Verde – “Não gosto nada de vegetais (…), nem de brócolos” – repulsa;
Amarelo – Cor “das boas ideias” e do “mel” – alegria;
Cor-de-rosa – “Delicioso como os meus bolos” amizade;
Azul – “Cor da Tristeza”;
Negro e cinzento – “Da escuridão e dos monstros” – Medo.

Em Terapia da Fala permite trabalhar as cores e a associação das mesmas a objectos, alimentos, estações do ano ou acções.

Este é um livro que já me ouviram falar diversas vezes tanto no Blog como na página de facebook e que utilizo não só em contexto terapêutico, mas também em acções que desenvolvo para creches, jardins de infância ou escolas a nível de desenvolvimento de competências sócio emocionais.



Como sugestão a nível da expressão plástica podem pedir às crianças para pintarem os seus próprios beijinhos.






Qualquer dúvida, contacte psicologareginaborges@gmail.com

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Será que o meu filho está preparado para entrar no 1º ciclo?



Esta é uma pergunta que muitos pais se colocam, no entanto existem algumas condições, principalmente para aqueles cujos filhos fazem os seis anos de idade após o 15 de setembro.
Se formos analisar o que diz a Legislação Portuguesa, temos o seguinte:

“A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem 6 anos de idade até 15 de setembro

As crianças que completem os 6 anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas (..)” [Despacho n.º 5048-B/2013]. 

Na teoria, o que isto significa é que todos os alunos que façam anos depois de 15 de setembro são os chamados “condicionais”. Só entram para o 1º ciclo em situações de exceção (como por exemplo a escola ter vagas). Contudo na prática, o que acontece na realidade é que todos os alunos que façam anos até ao dia 31 de dezembro, normalmente entram, salvo raras exceções.

Muitos são os papás que ao ter isto em conta colocam a questão, será que o meu filho está preparado?

Não existe uma resposta universal e homogénea a esta questão, no entanto é importante que as crianças não saltem etapas no seu desenvolvimento e que só entrem na escola, quando estão preparadas para tal. 

Se o filho de A.  entrou na escola e correu tudo bem, não quer dizer que o filho de B. seja igual…. As crianças diferem umas das outras em termos de personalidade e mais importante de maturidade emocional.

Existem inúmeros estudos que demonstram, que o ideal é que as crianças entrem já com os seis anos feitos. Como curiosidade sabiam que nos países nórdicos, a entrada no 1º ciclo acontece só aos sete anos?

Um estudo publicado pelos investigadores Thomas S. Dee e Hans Henrik Sievertsen, da Universidade de Stanford,  (2015) chegou à conclusão que as crianças dinamarquesas que entram um ano mais tarde para o primeiro ciclo revelam menores índices de desconcentração e hiperatividade e, consequentemente, denunciam um maior autocontrolo.

Então é importante desmistificar se os alunos condicionais atrasam ou ganham?

Na minha opinião não atrasam…eles não chumbam, nada perdem, lembrem-se disso. Apenas ganham, mais um ano para crescer e ganhar maturidade emocional.

A decisão da criança ficar mais um ano no pré-escolar, cabe sempre aos pais, no entanto não tomem esta decisão sozinhos, questionem a educadora do vosso filho e tenham em conta os seguintes aspetos:
- Concentração e Atenção;
- Maturidade cognitiva, social e emocional;
-Linguagem e Consciência Fonológica;
-Psicomotricidade;

Existe uma pressão por parte da sociedade para que as crianças “Vão para a escola dos crescidos” e uma grande desvalorização, quando dizemos que as crianças de cinco anos “Estão só a Brincar”.

São crianças e devem brincar, pois a brincar também se aprende. É a brincar com legos, plasticinas, ler histórias, fazer construções entre tantas outras coisas, que a criança está a estruturar o seu cérebro e a adquirir competências que lhe vão permitir ter sucesso aquando da entrada no 1º ano.

No fundo, trata-se de evitar que crianças de cinco anos sejam obrigadas a crescer e acompanhar crianças mais velhas nos mesmos desafios que a escola assim impõe.

Respeite o ritmo e as necessidades do seu filho, evite comparações.

O seu filho(a) é único e especial!